INADIMPLÊNCIA DO ALUGUEL CAI A MENOR NÍVEL EM 3 ANOS, MOSTRA ESTUDO

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A inadimplência dos aluguéis no Brasil caiu para 2,93% em setembro, o menor patamar desde abril de 2023, quando teve início a série histórica do Índice de Inadimplência Locatícia (IIL), da Superlógica. O resultado representa um recuo de 0,18 ponto percentual em relação aos 3,11% registrados em agosto. Na comparação anual com setembro de 2025, quando chegou a 3,80%, o indicador aponta uma queda expressiva de 0,87 ponto percentual, como mostra o levantamento.

A melhora, entretanto, não foi uniforme. Os contratos de menor valor continuam registrando índices de atraso acima da média nacional, enquanto o custo de morar de aluguel segue avançando acima da inflação.

O resultado de queda da inadimplência chama a atenção porque ocorre em um momento de valorização dos imóveis destinados à locação, como vem sendo detectado por outro indicador, o Índice FipeZAP, que mostra que os preços anunciados de aluguéis residenciais subiram 9,13% nos 12 meses encerrados em setembro, praticamente o dobro da inflação oficial de 4,58% no mesmo período. Apenas em setembro, os preços avançaram 0,52%.

Os dois levantamentos, porém, medem aspectos diferentes do mercado. Enquanto o FipeZAP acompanha os valores anunciados para novos contratos, a Superlógica analisa o pagamento efetivo de boletos de locação, considerando inadimplentes os que estão há mais de 60 dias sem pagamento ou foram quitados com atraso superior a esse prazo.

“A queda da inadimplência em setembro é um sinal positivo para o mercado de locação, mas o cenário exige atenção, especialmente diante dos juros ainda elevados e das pressões sobre o orçamento das famílias, fatores que podem afetar a capacidade de pagamento do aluguel”, afirma o diretor de Negócios para Imobiliárias do Grupo Superlógica, Manoel Gonçalves.

Maiores índices de atraso

A diferença entre os perfis de locação mostra situações distintas. Nos imóveis comerciais com aluguel de até R$ 1 mil, a inadimplência chegou a 7,41% em setembro, ante 7,65% em agosto. Embora tenha recuado, a taxa permanece mais de duas vezes acima da média nacional e é a maior entre as faixas de valores analisadas.

Nos imóveis residenciais da mesma faixa de preço, o índice ficou em 5,99%, contra 6,13% no mês anterior. Isso significa que, proporcionalmente, os atrasos nesses contratos são pouco mais de duas vezes superiores à média nacional.

Os números sugerem maior vulnerabilidade financeira nos segmentos de locação de menor valor. No caso dos imóveis comerciais, a dificuldade de pagamento pode estar associada à capacidade financeira de pequenos negócios, embora o levantamento não identifique as causas dos atrasos.

“Mesmo com a queda no mês, as faixas de aluguel mais baixo continuam concentrando taxas de inadimplência significativamente superior à média nacional. É um dado importante porque mostra que a melhora do índice agregado não acontece de maneira uniforme entre os diferentes perfis de imóveis e valores de locação”, explica Gonçalves.

A inadimplência também permanece relativamente elevada na outra ponta do mercado. Entre os imóveis residenciais com aluguéis superiores a R$ 13 mil, a taxa até recuou de 5,96% para 5,75%, mas ainda é alta. Nos comerciais da mesma faixa, passou de 4,50% para 4,32%.

Os menores índices foram registrados nos imóveis residenciais com aluguéis entre R$ 2 mil e R$ 3 mil, com 1,72%, e nos comerciais dessa faixa, com 3,28%. O comportamento indica que a inadimplência não diminui de maneira contínua à medida que o valor do aluguel aumenta.

Imóveis comerciais

A análise por tipo de imóvel reforça as diferenças entre os segmentos. Os imóveis comerciais registraram inadimplência de 4,11% em setembro, abaixo dos 4,22% de agosto, mas ainda acima dos indicadores residenciais. Entre as casas, a taxa recuou de 3,30% para 3,23%. Nos apartamentos, a variação foi menor, de 2,13% para 2,12%.

As disparidades também aparecem no recorte regional. O Nordeste registrou a maior taxa de inadimplência do país em setembro, de 5,08%, ligeiramente acima dos 5,07% de agosto. O resultado ficou 2,46 pontos percentuais acima do Centro-Oeste, que apresentou o menor índice, de 2,62%.

O Norte ocupou a segunda posição, com 4,45%, ante 4,35% no mês anterior. No Sul, a taxa subiu de 2,70% para 2,79%. Já o Sudeste foi a única região que registrou queda mensal, passando de 2,86% para 2,76%.

A evolução regional revela outro aspecto importante: embora o indicador nacional tenha atingido o menor nível da série, três das cinco regiões brasileiras registraram aumento da inadimplência em setembro.

O Índice de Inadimplência Locatícia da Superlógica é elaborado mensalmente com dados anonimizados de mais de 1 milhão de locatários em todo o país. A série histórica começou em abril de 2023.

Endividamento

A melhora no pagamento dos aluguéis acompanha uma redução mais ampla da inadimplência das famílias. Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), a proporção de famílias com contas em atraso caiu de 29,9% em agosto para 29,6% em setembro, o menor patamar desde março.

O percentual de famílias endividadas também recuou, de 82% para 81,7%, na primeira queda do indicador em 2026. Apesar disso, o comprometimento médio da renda com dívidas aumentou de 29,3% para 29,6%.

Fonte: Bahia Econômica