Conclusão foi apresentada em livro escrito por rede nacional de pesquisadores publicado pela FAU-USP.
A Agência FAPESP, serviço da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), publicou a matéria intitulada “Desindustrialização, políticas públicas e dominância financeira redefiniram moradia e espaço urbano no Brasil”, assinada por José Tadeu Arantes, que trata sobre as conclusões apresentadas no livro “A produção da casa e da cidade no Brasil contemporâneo: novos estudos sobre autoconstrução, Estado e imobiliário”.
Conforme a matéria, o livro foi organizado por pesquisadores do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Produção da Casa e da Cidade (INCT) e publicado pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e de Design da Universidade de São Paulo (FAU-USP). A obra retoma e atualiza questões formuladas por outra obra clássica dos estudos urbanos brasileiros, organizada por Ermínia Maricato em 1979, denominada “A produção capitalista da casa (e da cidade) no Brasil industrial”.
De acordo com Maria Lucia Refinetti Rodrigues Martins, professora da FAU-USP e uma das coordenadoras do projeto, o livro de Maricato “ofereceu uma interpretação muito importante da relação entre industrialização, urbanização e produção da moradia popular. Queríamos saber o que aconteceu com essa realidade meio século depois”.
A matéria destaca que, “em 1950, cerca de 70% dos brasileiros viviam no campo. Segundo o Censo Demográfico de 2022, 85% da população já reside em áreas urbanas. Essa urbanização não ocorreu apenas nas grandes metrópoles. O livro mostra que, nas últimas décadas, houve forte crescimento de cidades médias e de novos polos urbanos ligados ao agronegócio, à mineração, à logística e aos serviços especializados. O resultado foi uma estrutura urbana mais complexa, marcada simultaneamente pela concentração metropolitana e pela interiorização do crescimento econômico.”
Outro ponto de destaque da matéria indica que o estudo ressalta a sobreposição entre formalidade e informalidade na produção do espaço urbano. “Em muitos conjuntos habitacionais construídos pelo poder público, por exemplo, os moradores realizam ampliações, anexos e adaptações por conta própria. Em áreas originalmente informais, por sua vez, programas de urbanização introduzem infraestrutura sem eliminar completamente as características da ocupação inicial”, aponta.
Tadeu informa que “o livro também examina a crescente influência do mercado imobiliário e da financeirização sobre a produção da cidade. Segundo os autores, a produção da cidade em si faz parte de estratégias de valorização imobiliária e circulação de capital. Essa dinâmica ajuda a explicar fenômenos como verticalização acelerada, expansão de grandes empreendimentos habitacionais, reconfiguração de áreas centrais e aumento do preço da terra urbana.” O livro apresenta um amplo diagnóstico das transformações da urbanização brasileira nas últimas décadas e uma tentativa de atualizar a gramática analítica construída nos anos 1970.
Acesse a íntegra da obra (PDF).
Fonte: IRIB, com informações da Agência FAPESP