Especialistas compartilham experiências e desafios cotidianos da atividade registral imobiliária no XV Encontro Notarial e Registral

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Questões práticas, situações complexas e os bastidores da rotina registral estiveram em pauta no painel “Registro de Imóveis na Prática: O Que Não Te Contam”, no primeiro dia do XV Encontro Notarial e Registral realizado nesta quinta-feira (14/05). A proposta foi promover uma discussão objetiva sobre os desafios enfrentados diariamente pelos registradores de imóveis, trazendo uma visão aplicada da atividade e dos temas que impactam diretamente a segurança jurídica e a qualificação registral.

O debate contou com a participação do registrador de Imóveis da 6ª Zona de Porto Alegre, Marcos Salomão, do registrador de Imóveis de Viamão e vice-presidente da Anoreg/RS, Guilherme Pinho Machado, e da registradora e tabeliã de Flores da Cunha, Daniela Bellaver.

Durante sua participação, Daniela relatou os desafios enfrentados ao assumir um cartório que permaneceu sob interinidade por uma década. “Nem um curso, nem uma palestra, nem um livro me preparou para o que eu encontraria no Registro de Imóveis”, afirmou. Segundo ela, o primeiro passo da gestão foi compreender a dinâmica da equipe e estruturar novos processos internos. “Eu fui ouvinte antes de ser registradora de imóveis”, destacou.

Ao abordar a importância da equipe na atividade registral, Daniela ressaltou o valor da experiência prática no dia a dia do cartório. “Um funcionário com experiência no cartório é um tesouro”, disse. A registradora também compartilhou sua estratégia de gestão ao assumir a serventia. “Eu contratei pessoas que eram melhores do que eu naquilo que me faltava”, afirmou.

Outro ponto destacado foi a necessidade de equilibrar agilidade e segurança jurídica em meio às constantes mudanças normativas. “Nós somos o último filtro da mutação patrimonial”, pontuou Daniela, ao defender a importância de processos internos rigorosos e qualificação técnica contínua das equipes.

Já Marcos Salomão falou sobre o impacto pessoal e profissional da mudança do interior para a capital, além da complexidade operacional da atividade registral em grandes centros urbanos. “É completamente diferente sair de uma cidade de seis mil habitantes para uma capital”, afirmou. Em tom descontraído, relatou que a adaptação exigiu resiliência. “Não foi uma nem duas vezes que eu acordei na madrugada pensando: ‘Por que eu fiz isso na minha vida?’”, brincou.

O registrador também chamou atenção para a necessidade constante de atualização diante do grande volume de normas e regulamentações que impactam diretamente a atividade. “Você quase vira um psicopata da norma”, comentou, ao relatar a rotina intensa de estudos, interpretações e alinhamentos técnicos exigidos pela função.

Ao longo do painel, os participantes reforçaram que a atuação registral vai muito além do conhecimento jurídico. “Quem assume o cartório sabe que é muito mais do que Direito”, resumiu Daniela Bellaver, sintetizando o tom da discussão.

O painel também buscou aproximar teoria e prática, promovendo reflexões sobre eficiência, prevenção de litígios e modernização dos serviços registrais imobiliários.

Fonte: Assessoria de Comunicação