Em Araraquara, registros de paternidade socioafetiva saltaram de 1 para 15 em 9 meses
Neste domingo, Dia dos Pais, muitos pais que irão ganhar presente não tiveram que esperar nove meses para conhecerem seus filhos e filhas. Eles os conheceram ao se apaixonarem pelas suas mães e se tornarem pais em seus corações.
Foi o caso do funcionário público Sergio Augusto Médici, que se tornou pai de Gustavo ao reencontrar uma antiga namorada, a educadora física Branca Santiago de Moura.
Gustavo perdeu o pai aos nove meses e foi ele quem primeiro assumiu a relação de paternidade com Médici.
“Já deu uma empatia de cara, ele olhava para mim, depois que ele começou a me chamar de ‘papai’ eu fiquei pensando o que passava na cabecinha dele, será que ele pensou que eu estava viajando? (risos)”.Médici e Branca foram namorados na adolescência, mas cada um tomou um caminho diferente. Ao se reencontrarem, o amor renasceu e veio dobrado.
“Foi amor a primeira vista dos dois. Ele espontaneamente começou a chamar o Sérgio de pai. Aí virou pai e filho mesmo”, conta Branca.
Legislação favorável
Recentemente a lei deu uma ajuda aos homens que são pais de coração. Antes, eles tinham que entrar na Justiça para conseguir a paternidade, mas desde novembro de 2017, novas regras deram a possibilidade de reconhecimento voluntário da paternidade socioafetiva e, se houver o consentimento do pai biológico (quando ele estiver vivo), basta ir ao cartório e registrar a criança. Agora, o que poderia levar anos fica pronto em cinco dias.
“A paternidade socioafetiva é a paternidade estabelecida sem ser pelo vínculo biológico ou pela adoção. Esse filho tem os mesmos direitos que um filho biológico”, explica a oficial Cartório de Registro Civil, Manoela Almeida Sodré.
Em Araraquara, antes da lei tinha sido feito apenas um registro de pai socioafetivo. Desde que a nova regulamentação entrou em vigor, já foram feitos 14 registros do tipo.
Caso de amor
Um deles foi feito pelo montador de móveis Brian Cardozo, que registrou como sua a pequena Helena, filha da auxiliar administrativo Pâmela Elen Silva Souza.
“Ela disse ‘Eu tenho uma filha, ela tem cinco meses’ e eu disse ‘o que ela está fazendo que não está aqui com a gente?’. Aí, depois desse dia, a gente saía e a Helena ia para tudo quanto é lado com a gente. A gente não desgrudou mais”, conta Cardozo.
Para a mãe, não poderia haver pai melhor para sua filha. “Brinca, dá banho, escova o dente, é um paizão”, diz.
Para Cardozo, não poderia haver presente melhor para o Dia dos Pais.
“Foi o melhor presente que eu recebi na minha vida, foi uma cosia de louco, é uma coisa divina, não tem explicação.”
Fonte: G1