Clipping - G1 - 'Mesma angústia e espera dos nove meses para nascer', diz mãe adotiva na Paraíba

Casal adotou duas irmãs, na época de cinco e nove anos. Adoção tardia ainda é a menos procurada

Elas tinham cinco e nove anos quando conheceram Maria Dalva de Lucena, paraibana e comerciária de 45 anos que já havia feito quatro anos de tratamento para engravidar e não conseguia. Ana Heloisa já se encaixavam no que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) considera adoção tardia. Laiane já estava perto disso. Em 2017, apenas 15,3% das crianças adotadas tinham entre 5 e 8 anos de idade. Demorou, parecia que não ia dar certo, mas hoje são, de fato, uma família. “Você sente a mesma angústia e espera dos nove meses para nascer”, confessa Dalva.

Para dar início ao processo de adoção e realizar o sonho de ser mãe e pai, Dalva e Jorge se inscreveram no Cadastro Nacional de Adoção (CNA) para crianças de até cinco anos. Fizeram nove aulas de adoção no Grupo de Estudos e Apoio a Adoção (Gead), em João Pessoa, onde descobriram a existência da adoção tardia, isto é, quando a criança já tem mais de sete anos, de acordo com o juiz da Vara da Infância, Adhailton Lacet.

“Conhecemos as meninas em um encontro feito pelo Gead com todas as crianças que estavam para adoção. Mudamos nosso cadastro para nove anos, para poder ficar também com Ana Heloisa”, conta.

Há cinco anos a adoção foi efetivada. Há cinco anos Ana Heloisa e Laiane ganharam um novo lar e deixaram para trás uma vida de sobrevivência. Mas até isso acontecer, alguns obstáculos precisaram ser ultrapassados. As meninas, quando conheceram Dalva e Jorge, estavam em processo de adoção com outra família. “Nunca esquecemos delas”, lembrou a mãe.

Quando o casal chegou até o abrigo, na tentativa de começar a aproximação com outra criança, num misto de tristeza e alegria, “os olhos brilharam” quando perceberam que as duas irmãs estavam lá novamente. “Haviam sido devolvidas pela outra família”, conta.

Era a sina e o destino de Ana Heloisa e Laiane. A volta ao abrigo, embora repleta de tristeza e decepção, as encaminhou para uma família que as aguardava desde a inscrição no CNA. “Não tinha mais dúvidas que queríamos em nossa vida”, declarou Dalva.

Antes da adoção em definitivo, Dalva e Jorge passaram dois meses como padrinhos das meninas. O apadrinhamento é um programa voltado para crianças e adolescentes que vivem em situação de acolhimento ou em famílias acolhedoras, com o objetivo de promover vínculos afetivos seguros e duradouros entre si.

“Hoje são nossas filhas de verdade. Para nossa família elas são biológicas. Elas se transformaram em duas borboletas lindas. Nossa família ficou completa quando chegaram”, diz Dalva.

Antes da adoção, antes também de chegarem até algum abrigo, Ana Heloisa e Laiane chegaram a passar fome. Ficavam muito tempo sozinhas e dormiam, todos, em um só colchão de casal. Além das duas, a família também era composta por mais um irmão, que foi adotada no mesmo dia que elas, mas por outra família. “São amigos. Aliás, somos todos amigos”, conta a mãe. Hoje, Ana Heloisa tem 13 anos e Laiane, nove. Completam uma família que passou por um gestação de um ano e que agora vive uma rotina de união.

Como adotar?

Na Paraíba, existem, atualmente, 563 pretendentes à adoção registrados no Cadastro Nacional de Adoção (CNA). No entanto, desde a decisão de adotar até a conclusão do processo existe uma série de etapas que precisam ser observadas. Uma das principais dúvidas e receios se refere ao tempo de duração do processo, que segundo o Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB) depende, em grande parte, das restrições estabelecidas pelos adotantes.

A Rede Paraíba de Comunicação e o TJPB estão promovendo a campanha “Não resista ao amor. Adote”, que visa sensibilizar, despertar o interesse e esclarecer questionamentos da população a respeito do processo.

Qualquer pessoa maior de 18 anos, independente do estado civil, credo religioso, orientação sexual ou aspectos econômicos pode adotar. No entanto, o pretendente deve ser, pelo menos, 16 anos mais velho que o adotando e estar disposto a oferecer um ambiente familiar adequado para o desenvolvimento da criança ou adolescente. No entanto, algumas particularidades estão envolvidas no processo.


Fonte:
G1