Clipping – G1 - Dezenas de casais aguardam em longa fila de espera para adotar crianças

Preferências fazem com que a espera seja ainda maior. Casal homoafetivo de Catanduva (SP) fez adoção tardia de três filhos e é exemplo de minoria.

Casais que procuram completar a família aguardam em uma fila longa para adotar um filho. Em São José do Rio Preto (SP), são mais de 100 casais que esperam por anos, no entanto, a a conclusão do processo demora mais ainda, já que a maioria quer criança com até 4 anos.

Atualmente, são três crianças disponíveis para adoção e 29 adolescentes, com idades entre 12 e 17 anos. Segundo o Projeto Teia, entidade que abriga os menores, eles não manifestam o desejo de ter uma família e sim um apadrinhamento efetivo.

No Brasil, mais de 42 mil pessoas estão na fila de adoção e, do total, apenas 45 casais aceitariam adotar um adolescente.

A preferência é por crianças com menos de 5 anos, que representam 4,25% das que estão para adoção.

Um casal homoafetivo de Catanduva (SP) é um exemplo desta minoria. Os cabeleireiros Vasco da Gama e Júnior de Carvalho adotaram três filhos. A Theodora foi a primeira criança do Brasil a ser adotada por um casal homoafetivo.

“Ela chegou no dia 23 de dezembro e a mudança foi total. Ela já chegou bagunçando a casa, mas deixando alegria por onde passava”, comenta Vasco.

Quatro anos depois, o casal adotou a Helena que, por coincidência, é também a irmã biológica de Theodora.

“Acabei achando uma certa semelhança na fotografia das duas e fiquei desconfiado. A gente não sabia que elas eram irmãs biológicas e quando verificamos o processo, vimos que o nome da mãe era o mesmo. Foi uma coincidência divina”, afirma Vasco.

Hoje, a família é um exemplo de amor, paciência, compreensão e respeito. Para as irmãs, ter dois pais é incrível.

“Sempre que vamos chamar por eles, temos que falar os nomes do pai Vasco ou do pai Ju. Já nossas amigas sempre dizem que gostariam de ter dois pais”, comentam.

O amor da família é tão grande, que transbordou e adotou o Moisés neste ano. Ele viveu desde que nasceu em um abrigo, chegou a morar com outras famílias, mas não deu certo.

Aos 16 anos, ele foi orientado a procurar por um curso profissionalizante, já que aos 18 teria de deixar o abrigo.

Moisés fez um curso de cabeleireiro e conheceu o casal. O afeto entre eles surgiu e a guarda provisória do menino foi feita.

“O Moisés me pedia muito por uma família nos atendimentos. A necessidade era grande e ele não teve dificuldades para se adaptar na casa nova. A relação dele com as irmãs é muito boa”, afirma a psicóloga Renata Parra Clemente.



Fonte: G1