O programa lançou 224.842 unidades em 2025, dentro de um total de 453.005 imóveis, cerca de 49,6%. Das 426 unidades vendidas, 196.876 pertenciam ao MCMV
O Minha Casa, Minha Vida (MCMV) não apenas acompanhou o crescimento do mercado imobiliário em 2025, ele foi responsável por uma fatia decisiva dessa expansão. No acumulado do ano, o programa lançou 224.842 unidades, dentro de um total de 453.005 imóveis colocados no mercado brasileiro. Na prática, isso significa que praticamente metade (cerca de 49,6%) de todos os lançamentos residenciais do país em 2025 esteve vinculada ao programa habitacional do governo. Do lado das vendas, o peso também foi expressivo: das 426,2 mil unidades comercializadas no ano, 196.876 pertenciam ao programa, o equivalente a aproximadamente 46% de todas as vendas realizadas no país.
O protagonismo ficou ainda mais evidente no quarto trimestre. Entre outubro e dezembro, o MCMV respondeu por 69.188 dos 133.811 lançamentos do período, cerca de 52% do total nacional. Nas vendas, foram 53.145 unidades dentro de um universo de 109.439 imóveis negociados, algo perto de 49% do mercado no trimestre. Ou seja, praticamente um em cada dois imóveis vendidos no Brasil no fim de 2025 estava dentro do programa habitacional.
Esse desempenho não apenas garantiu escala ao segmento de habitação popular, como sustentou o próprio ritmo da construção civil em um ambiente de juros elevados. Segundo a pesquisa Indicadores Imobiliários Nacionais, da Câmara Brasileira da Indústria da Construção, o mercado como um todo encerrou 2025 com recordes históricos.
Foram 453.005 unidades lançadas no ano, alta de 10,6% frente a 2024, e um Valor Geral de Lançamentos (VGL) de R$ 292,3 bilhões, também 10,6% superior ao registrado no ano anterior. As vendas cresceram 5,4%, passando de 404,2 mil para 426,2 mil unidades, enquanto o Valor Geral de Vendas (VGV) somou R$ 264,2 bilhões, avanço de 3,5%.
A influência do MCMV foi particularmente relevante nas regiões mais populosas. O Sudeste respondeu por 55% das vendas no quarto trimestre. No Norte, essa participação chegou a 56%. No consolidado anual, o Sudeste também liderou o crescimento dos lançamentos, com alta de 15,1% sobre 2024.
O pano de fundo para esse desempenho é uma demanda estrutural ainda elevada. Metade dos entrevistados na pesquisa declarou intenção de comprar imóvel nos próximos 24 meses, sendo que o principal motivo é sair do aluguel. Apartamentos seguem como o tipo de imóvel mais desejado.
Para 2026, a expectativa é de cenário mais favorável, com possível queda da taxa básica de juros (Selic), melhora nas condições de crédito e expansão das fontes de financiamento. A meta do governo de alcançar 3 milhões de unidades contratadas pelo programa até o fim do ano reforça a perspectiva de continuidade no ritmo de contratações.
Os números mostram que o programa deixou de ser apenas um segmento específico do mercado: ele se tornou a espinha dorsal da atividade imobiliária no país. Em um ano de crédito mais restrito, foi o MCMV que garantiu volume, previsibilidade e sustentação ao setor, e ajudou a levar o mercado brasileiro a novos recordes históricos.