Pesquisa nacional da Brain Inteligência Estratégica aponta avanço consistente do interesse por imóveis no país, com demanda distribuída entre faixas de renda e protagonismo da Geração Z
A intenção de compra de imóveis no Brasil alcançou 50% no quarto trimestre de 2025, consolidando-se como a maior taxa da série histórica, iniciada em 2019. O indicador representa um crescimento de 5 pontos percentuais em relação ao mesmo período de 2024, quando registrava 45%.
Os dados fazem parte da mais recente edição da Pesquisa de Intenção de Compra de Imóveis, realizada pela Brain Inteligência Estratégica, com abrangência nacional. O levantamento mostra que metade dos brasileiros com renda familiar acima de R$ 2.500 declara intenção de adquirir um imóvel nos próximos meses, mesmo em um cenário de juros elevados
Geração Z lidera o interesse por imóveis
O recorte geracional evidencia uma mudança relevante no perfil da demanda. A Geração Z (21 a 28 anos) apresenta a maior intenção de compra, alcançando 56% em novembro de 2025, ante 49% ao final de 2024. O avanço indica uma entrada mais consistente dos jovens no mercado imobiliário, impulsionada por fatores como busca por independência, saída da casa dos pais e planejamento patrimonial desde cedo.
Na sequência aparecem a Geração Y (29 a 44 anos), com 54% de intenção, e a Geração X (45 a 60 anos), com 44%. Já entre os Baby Boomers (61 a 79 anos), o índice é mais moderado, em 31%, refletindo um estágio de vida com menor propensão à aquisição de novos imóveis.
Demanda equilibrada entre faixas de renda
A pesquisa revela que a intenção de compra está bem distribuída entre as diferentes faixas de renda, sinalizando um mercado mais homogêneo e com base ampla de demanda. No quarto trimestre de 2025, todas as faixas convergem para patamares próximos de 50%, reduzindo a concentração histórica em apenas um segmento específico.
As famílias com renda mensal acima de R$ 20 mil registram 54% de intenção de compra, enquanto aquelas com renda entre R$ 2,5 mil e R$ 5 mil alcançam 53%.
Esse equilíbrio reflete um mercado que passou a atender de forma mais consistente diferentes perfis de compradores, seja por meio de produtos mais adequados às realidades locais, seja pela evolução das condições de financiamento e da oferta imobiliária.
Intenção elevada com jornada de compra em amadurecimento
Entre os brasileiros que declaram intenção de adquirir um imóvel, 37% ainda não iniciaram a busca, enquanto 8% já pesquisam ativamente no ambiente digital e 5% avançaram para a fase de visitação presencial.
A manutenção de um contingente expressivo de compradores nas etapas iniciais sugere espaço relevante para aceleração das vendas, especialmente à medida que fatores como maior previsibilidade econômica, melhora na percepção de renda, acesso ao crédito e adequação da oferta se consolidem.
Além disso, a pesquisa mostra que a busca online permanece em patamar elevado, reforçando o papel dos canais digitais como principal porta de entrada da decisão de compra e vetor estratégico para a conversão da intenção em negócios efetivos.
Nordeste lidera intenção de compra no país
O levantamento também revela aspectos regionais importantes. O Nordeste lidera a intenção de compra, com 54% das famílias declarando interesse em adquirir um imóvel nos próximos meses, índice acima da média nacional. As regiões Sul (48%) e Sudeste (44%) aparecem na sequência.
Apartamento segue como principal imóvel de desejo dos brasileiros
A pesquisa da Brain mostra que o imóvel residencial para moradia permanece como prioridade absoluta, citado por 89% dos entrevistados que pretendem comprar um imóvel. Dentro desse universo, o apartamento se consolida como o tipo mais desejado, com 48% das preferências. As casas em rua aparecem na sequência, com 34%, seguidas por casas em condomínio fechado (15%).
Compra de imóveis é impulsionada por transições de vida e busca por melhoria habitacional
As motivações para a intenção de compra de imóveis seguem fortemente associadas a momentos de transição de vida, que respondem por 55% das decisões. O principal fator continua sendo sair do aluguel, citado por 32% dos entrevistados, seguido por saída da casa dos pais (13%), mudança de localidade (5%), casamento (3%) e separação (2%). Logo na sequência, aparece o grupo de motivações ligadas ao upgrade do imóvel, que representa 29% do total, impulsionado pela busca por mais espaço (15%), mais benefícios (9%) e imóveis mais novos (5%).